"O que nasceu de um simples chamado espiritual se transformou em uma verdadeira missão: conectar pessoas, fortalecer rezos e levar a cura da floresta para muitos caminhos."
Nosso trabalho com o feitio da medicina do Rapé nasceu de um chamado espiritual muito especial, no ano de 2020, através de um pedido do mestre espiritual Bem-Te-Vi das Matas, por intermédio da canal Gislaine Wahbe. Naquele período, ainda não imaginávamos a profundidade do caminho que estava se abrindo diante de nós, nem a dimensão que essa medicina alcançaria em nossas vidas e na vida de tantas pessoas.
Durante um feitio experimental realizado com todo o grupo da UCCAI, reunindo cerca de 25 operadores, eu, Alexandre Wahbe, tive meu primeiro contato profundo com o universo alquímico do Rapé. Foi um encontro marcante com a força das plantas, das ervas, dos aromas e das vibrações únicas que cada composição carrega dentro de si.
A partir dessa experiência, começamos a produzir nossa própria medicina. No início, eram feitios pequenos, preparados quase de forma íntima, destinados apenas aos amigos mais próximos e pessoas chegadas. Tudo era feito de maneira simples, mas com muito amor, respeito e dedicação. Aos poucos, fomos percebendo que havia algo muito especial naquela medicina. As pessoas começaram a sentir a força, a firmeza e a presença espiritual do nosso Rapé. Naturalmente, isso foi crescendo, se espalhando e alcançando cada vez mais corações.
Hoje, 7 anos depois, olhamos para trás com gratidão e humildade ao perceber que tudo tomou proporções que jamais imaginávamos no começo.
Nossa relação com essa medicina, no entanto, vem de muito antes do início dos nossos feitios. Há mais de 20 anos já convivíamos com o Rapé em Jornadas Xamânicas, rodas de cura no UCCAI e também diretamente com diversos povos indígenas. Sempre tivemos profundo respeito por essa medicina ancestral, reconhecendo sua importância espiritual, energética e terapêutica.
Mas produzir o próprio Rapé foi um passo completamente diferente. Foi mergulhar verdadeiramente na alquimia sagrada das plantas, aprendendo a escutar cada elemento e compreender os espíritos presentes em cada etapa do processo. A qualidade e o refinamento do nosso Rapé são resultado direto desse cuidado profundo que temos em cada detalhe do feitio. Existe um zelo muito grande na escolha do tabaco, das cinzas e das ervas utilizadas. Nada é feito às pressas.
Trabalhamos com o famoso Mói, um tabaco tradicional extremamente forte, contendo cerca de 10x mais nicotina que os tabacos comuns. Livre de agrotóxicos, é cultivado de forma pura, carregando firmeza, aterramento e uma força ancestral imensa.
Fruto de anos de confiança com povos indígenas e caboclos. Recebemos cinzas extraordinárias dos parentes do povo Fulni-ô (Pernambuco), além dos povos Huni Kuin, Yawanawa e Shanenawa. Cada povo traz uma sabedoria única para nossa alquimia.
Nossos feitios são verdadeiros rituais de conexão. Cada etapa é realizada com intenção, concentração e oração. Buscamos manter pensamentos elevados e o coração limpo, transmitindo todo o nosso axé para a medicina.
Muito da qualidade do nosso Rapé vem justamente dessa dimensão espiritual que acompanha nossos caminhos. Sentimos a presença constante dos seres de luz da linha xamânica, dos caboclos, pretos velhos e mestres espirituais que nos orientam, protegem e fortalecem durante todo o processo.
Saudamos especialmente o Mestre Bem-Te-Vi das Matas, Arraiom Trovão, Pena Branca e toda essa corrente espiritual maravilhosa que sustenta nossos trabalhos e nossos rezos.
Seguimos caminhando com humildade, respeito e gratidão, honrando os conhecimentos ancestrais da floresta e buscando levar uma medicina cada vez mais firme, limpa e verdadeira para todos aqueles que chegam até nós.